A MORTE E OS ESPÍRITOS

Publicado em “O Estado de São Paulo” em 28 de janeiro de 1909. A grafia original da época foi mantida.

Os espiritistas inglezes, de algum tempo a esta parte, têm caída um tanto no ridículo. Contam nas suas fileiras homens de sciencia tão eminetes como sir William Crookes, sir Oliver Lodge, o dr. Russel-Wallace; literatos tão populares como Stead; ecclesiásticos tão respeitado como os ministros protestantes Coley e Brock. Estes dois ultimos tratavam de realisar as experiencias mais concludentes. Stead publicava-as nos grandes “magazines” inglezes, os sabios tratavam de lhe dar uma explicação scientifico-espiritista e a coisa ia de vento em pôpa.

Agóra, porém, tudo desandou. Não ha muito, Coley apresentou diante de seu auditorio, num salão que estava quasi ás escuras, um espirito visivel; mas saiu-lhe ao encontro o materialista Markelyne, o grande prestidigitador de Saint Georges Hall, que ganhou uma fortuna repetindo por meio de processos matereaes os suppostos phenomenos provocados pelos espiritistas – e comprometteu-se a pagar a Coley 1.000 libras esterlinas se não conseguisse – elle, Markelyne – repetir a operação.

Antes da experiencia realisou-se um torneo oratorio, em que tomaram parte Wallace e Lodge, para demostrar que Markelyne não poderia repetir o “effeito” de Coley, e zás! Markelyne repetiu-o.

Para fazer esquecer esta primeira decepção publicou o ministro, em uma revista, a reprodução dos retratos que acabava de obter dos seus defuntos paes.

Todos quantos tinham conhecido os dois anceãos, reconheceram-nos perfeitamente. Se se podiam retrar os espiritos era porque existiam.

O director da revista “John Bull”, o deputado radical de Londres Horacio Bottamley, publicou, porém, no seu popular periodico, a nota seguinte:

“Aposto 1.000 libras esterlinas; que serão entregues a um hospital, em como Coley não retrata os espiritos de seus paes nem de pessôa alguma, com a única condição de que dois photographos experiemntados, escolhidos por mim, presencearão a operação. Se Coley não aceita o repto declaro desde já que é um louco e um embusteiro”.

Apesar do caracter especialissimo deste repto, Coley não se atreveu a apanhar a luva; segundo descalabro.

Mas agóra parece que chegou a hora do despique.

O ministro protestante Brook, colega de Coley, assegurou que lhe tinham apparecido, a elle e a mais quatro pessôas os espiritos do dr. Astley e de sua esposa, fallecidos na catastrophe ferro viaria ocorrida na Argelia, no dia 19 do mez de dezembro de 1908.

Todos os diarios, incluindo o “Times”, eviaram um de seus redactores para entrevistar o ministro e às outras testemunhas desta apparição ultra-tumular. Todas as declarações foram concretas, terminantes.

Não podia haver duvidas. A victoria dos espiritistas era completa.

Eis aqui o telegramma que o correspondente do “Times” em Argel enviou ao diário da City:

“O dr. Astley e sua, esposa não morreram, como se julgava; estão ambos no hospital de Argel, gravemente feridos”. Eis aqui o telegramma que o próprio dr. Astley dirigiu a sua sogra: “Ambos livres de perigo, embóra talvez eu tenha que sofrer a amputação de uma perna”.

Um morto que telegrapha!… O espiritismo acaba de receber um golpe terrivel, não ha duvida; mas é de crêr que tudo isso se explique, para, depois, ser de novo contestado e assim por diante…

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ALGUMAS IMAGENS

As imagens abaixo não constam na notícia original.

Mágico Maskelyne, o materialista que desmascarava falsos médiuns
Mágico Maskelyne, o materialista que desmascarava falsos médiuns
Reverendo Cooley, desmascarado por Maskelyne.
Reverendo Colley, desmascarado por Maskelyne.
Bottomley, editor da revista "John Bull" que desafiu os falsos médiuns ingleses.
Bottomley, editor da revista “John Bull” que desafiu os falsos médiuns ingleses.

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