TRÊS MULHERES QUE MUDARAM A MÁGICA PARA SEMPRE

O texto abaixo foi retirado do site “itricks.com” , traduzido e adaptado por mim. O link para o post original encontra-se ao final do texto. Qualquer dúvida ou problema, por favor, deixe nos comentários.

1. INTRODUÇÃO

Apesar do estereótipo da mulher na mágica ser o da bela assistente, muitas mulheres ficaram no centro do holofote. Mais importante ainda, foi o fato de várias mulheres haverem contribuído enormemente para a transição da mágica dos palcos de vaudeville para a era da televisão.

Os anos pós-vaudeville – dos anos 30 até o começo dos anos 50 – são considerados os “anos de prata” para a mágica (em oposição à era de ouro, anos antes). Além do nascimento da televisão, e de um novo e incrível meio para transmitir mágica, houve um grande aumento no número de publicações mágicas. Muito dos grandes nomes da mágica nesse período, como Harry Blackstone e Channing Pollock, são ainda conhecidos hoje em dia. Frequentemente, porém, é subestimado que, algumas das maiores contribuições da mágica nesse período – em especial na área de materiais impressos – foram feitos por mulheres.

2. DELL O’DELL

Dell O'Dell
Dell O’Dell

Para muitos fãs de mágica de meados do século 20, falar em uma mulher mágica, significa falar de Dell O’Dell. Nascida Nell Newton, ela veio de uma família circense e passava os verões dormindo em tendas durante as turnês, e o ano letivo em uma escola de garotas. Vivendo entre artistas, Dell aprendeu contorcionismo, como domar animais e truques de força que a levariam ao “vaudeville”. Enquanto lecionava sobre forma física, ela pontuava suas lições com demonstrações de força e de equilíbrio. Ela também se interessava por mágica desde a sua infância, quando seu pai empregava um mágico a cada temporada de shows, vindo ele mesmo a apresentar-se como mágico quando mais jovem. Aos poucos Dell foi mudando da “cultura física” para a mágica de palco. Foi pela mágica que ela atingiu o sucesso, excursionando por todo o Estados Unidos chegando a ter seu próprio show de televisão.

Dell O'Dell
Dell O’Dell

Dell O’Dell não só foi uma excelente “performer” – conhecida principalmente por seu texto repleto de belas rimas – mas também mostrou-se uma ótima mulher de negócios. Ela logo percebeu que “para ganhar dinheiro é preciso ter dinheiro” e investiu, não só em aparelhos e roupas, mas também em promoções e mesmo em um escritor profissional para o seus textos. Em meados dos anos 50 ela abriu sua própria loja de mágicas em Sunset Boulevard (a saber aquela rua cercada de palmeiras que vemos nos filmes e uma das mais glamorosas ruas de Hollywood). O fato de ser mulher trouxe a Dell alguns problemas com os gimmicks que eram especialmente desenhados para serem usados por homens em seus fraques. Seu marido, Charles Carrer, famoso malabarista, acabou por conseguir adaptar os aparatos para as roupas da esposa. Sobre isso O’Dell declarou: “Poucos mágicos têm maridos. E eles sã de grande ajuda.”

Dell teve um coluna na revista “The Linking Ring” por muitos anos (“Dell-lighfully Speaking”). Ela também publicou dois livros sobre mágica, e estrelou um programa na TV, “The Dell O’Dell Show”. Seu programa estreou em setembro de 1951 e tinha cerca de 30 minutos de duração – o dobro da maioria dos programas da época. Cabe salientar que este não foi o primeiro show de mágica na televisão; tampouco Dell foi a primeira mulher a apresentar mágicas na televisão, mas ela foi a primeira mulher com um programa de TV sobre mágica que não era direcionado ao público infantil. Ela também já se apresentara durante os dias “experimentais” da televisão, chegando por vezes a alegar ter sido a primeira mulher a fazer mágica na televisão.

3. GERALDINE LARSEN

Geraldine Larsen também dizia ter sido a primeira mulher mágica da televisão, graças a uma apresentação de demonstração feita em 1939 na Exposição Golden Gate. Assim que a TV começou a aparecer nos lares americanos, “Geri” estrelaria em “The Magic Lady” (A Dama Mágica). Esse programa infantil era televisionado originalmente para Los Angeles, porém logo ele foi vendido para outras estações de TV e Geraldine tornou-se reconhecida como uma espécie de fada-madrinha, tal qual sua personagem. Na vida real, a Dama Mágica foi uma espécie de fada-madrinha para a mágica pois dirigiu a revista Genii Magazine em suas primeiras décadas.

Quando ainda estava no colegial Geri foi escolhida como ajudante de um mágico em sua rotina de Aros Chineses. Encantado com a moça, o mágico William Larsen convidou-a para sair e acabou casando-se com ela. William tornou-se um advogado, mas cultivava um profundo amor à mágica e decidiu começar a sua própria revista de mágica em 1936. Foi um enorme desafio publicar uma revista e, ao mesmo tempo, manter uma carreira jurídica, mas Geraldine esteve ao lado do marido desde o início, apoiando-o. Ela foi a garota da capa da edição de Agosto de 1938 e também o rosto da primeira capa colorida da revista em Janeiro de 1955. William reconheceu o trabalho da esposa ao escrever que a revista não existiria sem o trabalho da esposa como mulher de negócios e assistente de edição. De fato, William revelou que ela havia publicado sozinha uma série de artigos no ano anterior quando ele estava atolado pelo seu trabalho como advogado. Ela também escrevia uma coluna mensal para mulheres mágicas chamada “Paging the Ladies”. Essa coluna não só mantinha os leitores atualizados no tocante às mulheres mágicas, assistentes e esposas de mágico, mas também apresentava para elas algumas receitas (talvez a única coluna regular sobre comida na história das publicações mágicas).

Genii Magazine de agosto de 1938

Após a morte do marido em 1953, Geri Larsen assumiu como editora-chefe da Genii (ela também viria a se casar ainda duas vezes mais: primeiro com o apresentador de televisão Art Baker, e em seguida com Rubin Jaffe). Antes disso, quando William largou a advocacia para se tornar um artista em tempo integral, ela já havia tomado conta de toda a revista – exceto da parte mágica – para ajudar o marido a evitar as políticas da indústria. Ela ainda encontrou tempo para escrever dois livros: “The Diary of a Magician’s Wife” (O Diário da Esposa de um Mágico) de 1941 e “Nothing Up His Sleeve, a Merry Melange of Mystery and Magic.” (Nada na Manga, Uma Feliz Mistura de Mistério e Mágica) de 1943. Como se não bastasse todas essas atividades, ela ainda foi presidente do “Magigals”, o único clube de mágica exclusivo para mulheres da época.

Genii Magazine, janeiro de 1955. Primeira capa colorida.
Genii Magazine, janeiro de 1955. Primeira capa colorida.

4. FRANCES IRELAND

Frances Ireland e seu marido Jay
Frances Marshall e seu marido Jay Marshall

Frances Ireland, também conhecida como Frances Marshall é frequentemente creditada como uma das fundadoras do Magigals. Assim como Gerri Larsen, ela foi levada ao mundo da mágica por seu marido, Laurie Ireland, em uma curiosa história. Quando ela acidentalmente trancou-se do lado de fora do escritório de entregas onde ela trabalhava, Frances Vandervier (nome de solteira de Frances Ireland) dirigiu-se a um alto cavalheiro da porta ao lado, e pediu-lhe que escalasse por uma janela aberta e destrancasse a porta pelo lado de dentro. Este heroico “resgate” de Laurie Ireland levou-o a contratar Frances para ajudá-lo com seus manuscritos de mágica e, eventualmente, levou ambos a se casarem. Ela gerenciou a “LL Ireland Magic Co.” por muitos anos, renomeando a empresa como “Magic Inc.” após a morte do marido. Frances Ireland se casou outra vez com Jay Marshall, de quem também adotaria o sobrenome.

Loja Magic Inc.
Loja Magic Inc.

Após sua incursão no mundo da mágica, pelo seu marido Laurie, Frances tornou-se uma das principais atrações da cena mágica de Chicago. Seu trabalho com a companhia do marido levou-a à sua própria carreira como mágica infantil, mas mais importante, deu-lhe a oportunidade de tornar-se uma das mais profícuas autoras. Ela foi colunista da “The New Tops”, da “Magic Manuscript”, chegando inclusive a ser editora da “The New Phoenix”. Mas ela provavelmente é mais lembrada pela sua coluna na “The Linking Rings” chamada “Around Chicago”. Ela também fez um grande trabalho lembrando para a indústria de produtos mágicos dos Estados Unidos, que a mágica não florescia apenas em Los Angeles e Nova York. Quando não escrevia suas colunas, Frances Ireland (Marshall) escrevia inúmeros livros, manuais, instruções, e panfletos para a “LL Ireland / Magic Inc.”. Desde cuidados com coelhos, até a rara arte da chapeugrafia, tudo o que envolvesse mágica, sobre isso Frances Ireland escreveu. Ela também escreveu as suas memórias na sua carreira como mágica, “My First Fifty Years: Being a Loosely Knit Remembrance of my Life in Magic from 1931 to 1981.” (Meus Primeiros Cinquenta Anos: Lembranças Remotas da Minha Vida na Mágica de 1931 a 1981).

Da esquerda para a direita: Frances Ireland Marshall, Jay Marshall, William Zavis, Wim, e Phil.
Da esquerda para a direita: Frances Ireland Marshall, Jay Marshall, William Zavis, Wim, e Phil.

5. CONCLUSÃO

Claro, essas são só algumas das muitas importantes e influentes mulheres dos anos de parta da mágica. Há muitas outras histórias para contar, como a de Celeste Evans, Nani Darnell e Carolyn Trask. É importante lembrar que enorme influência dessas damas quando lembrarmos da história da mágica e olharmos para o futuro.

6. BIBLIOGRAFIA

* Texto Original: iTricks.com

Imagens:

* All About Magicians

* Magicpedia [1] e [2]

* Blog da Coleção Especial Biblioteca Pública de Providence

* The Circus Blog

* Blog Chicago History

* Perfect Magic

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