FANTASMAGORIA

No post anteiror (abaixo) falei sobre as “Lanternas Mágicas”. Aparatos capazes de reproduzir imagens, e criar histórias, muito utilizadas no século XVIII e XIX.

Alguns me perguntaram: “mas o que aquelas lanterna tem a ver com a mágica, exceto pelo nome?“. Na verdade aquele post foi uma introdução para o post de hoje. Hoje escreverei sobre um estilo de apresentação utilizando as tais lanternas mágicas, chamado de fantasmagoria; ou seja, um show de terror.

Esses espetáculos, serviram como base para mutas das mágicas de palco com temáticas espíritas e sobrenaturais nos séculos XVIII e início do século XIX. Foram nesses espetáculos que os mágicos descobriram o poder e a utilidade dos espelhos e da fumaça, cunhando a expressão “smoke and mirrors”, que é, até hoje, sinônimo de “uma grande ilusão”.

Quem pensa que os espetáculos de horrores são uma invenção moderna, devería rever seu conceito. No fim do século XVIII, algumas modificações na concepção das Lanternas Mágicas permitiram não mais a simples exibição de imagens estáticas, mas agora produziam imagens horrorizantes: fantasmas projetados sobre a plateia, imagens minúsculas que prontamente se convertiam em gigantes e além disso que podiam podiam se mover pelas paredes dos teatros.

 

Espetáculo de fantasmagoria no Séc. XVIII

(clique na imagem para ampliar)

A lanterna mágica, antes um show de projeções e histórias, acaba mudando completamente, dando origem a um show de horrores, e que ficaram conhecidos como fantasmagoria.

Por se tratar de uma ilusão, era comum a presença de mágicos, que acompanhavam o espetáculo e o funcionamento das lanternas e alguns até que se apresnetavam junto com a lanterna, ainda que o espetáculo funcionasse na maior parte das vezes tendo nada a ver com a mágica.

O NASCIMENTOS DOS FANTASMAS

A Revolução Francesa, com suas muitas mortes, guilhoitinas e demais atrocidades, foram o cenário perfeito para a geração dessas sensações macabras. E o interesse do público pelo macabro inerente à Revolução, incentivou grandemente a execução desses shows de fantasmas.

Tudo começa no auge da Revolução Francesa, quando chega em Paris o físico belga Étienne-Gaspard Robert (1763-1837), mais conhecido como Robertson, e que teve uma engenhosa ideia: a produção de fantasmas ópticos.

 

Desenho de perfil de Étienne-Gaspard Robert

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O porém é que já haviam alguns fabricantes de fantasma em Paris como Cagliostro e Mesmer. Porém o diferencial de Robertson, além de ser um estrangeiro desconhecido, era que ele, de fato, era um entendido na ciência e na óptica, além de se proclamar um possuídor de poderes ocultos.

Alguns historiadores afirmam que Robertson era, na verdade, um plagiador. Ele haveria se apossado da ideia de um alemão chamado Paul Philidor ou Philipsthal, que havia apresnetado um espetáculo de fantasmagoria em Paris poucos dias antes da morte do Rei Luís XV. Além disso, Philip era dono de um museu de curiosidades sobre ótica, mecânica e automatos. verdade ou não, o fato é que o show de Robertson era uma vedadeira experiência sobrenatural.

 

Cartazes anunciando shows de fantasmagoria: à esquerda, o cartaz de Robertson de um show em Londres; à direita um cartaz de Philipsthal

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Étienne, que ao menos sabia se promover, inundou Paris com cartazes propagandeando a si próprio. Tamanho foi o sucesso de sua divulgação que o lugar marcado para a sua apresentação, um pequeno teatro de 70 lugares, ficou sem espaço para o tanto de pessoas que compareceram.

O SHOW

Poultier, um repórter local, escreveu acerca daquele espetáculo. Nesta nota Poultier conta que o belga colocava em um braseiro em chamas dois vasos cheios de sangue, algumas substâncias químicas e algumas folhas do periódico “Jornal dos Homens Livres” (um jornal republicano da época) fazendo aparecer por entre a fumaça produzida um horrível fantasma coberto por uma capa vermelha, representando a liberdade segundo consta, e armado com um punhal, para logo desaparecer, tão misteriosamente quanto apareceu.

 

 

Fantasmas aparecendo por cima do público. Repare nos braseiros gerando a fumaça por onde aparecem os fantasmas.

(clique na imagem para ampliar)

A seguir um jovem da plateia se levanta e solicita ver o fantasma de sua amada já falecida; o jovem então mostra um retrato dela para Robertson. O físico repete outra vez a operação no brazeiro e eis que surge o busta da jovem, com seus cabelos fluuando no ar e sorrindo para o seu amado.

A notícia toda é bastante extensa. Mas o exposto aqui já é o bastante para imaginarmos o tamanho do impacto que esta notícia deve ter causado nos leitores da época.

Como já foi dito, o lugar marcado para as apresentações era deveras pequeno para o sucesso de Robertson que logo conseguiu mudar-se junto com seus fantasmas e seus aparatos para um lugar mais amplo e, por acaso do destino, um lugar com “espírito” para tais apresentações: um velho e abandonado convento capuchinho, próximo à Praça de la Vendome, em Paris. Esta nova locação foi a grande alavanca no marketing de suas apresentações.

Os espectadores que chegavam eram conduzidos através de corredores escuros rodeados de antigas tumbas e lápides mortuárias. O cenário não podería ser mais perfeito. Era um grande show de imagens e sensações.

Se as projeções por si só, já aterrorizavam a audiência, o ambiente tétrico as pontecializavam ainda mais. A isso, ainda foram acrescentados sons ambinetes de trovões, sinos, correntes e outros sons dessa linha.

E o terror não parava por aí. Alguns ajudantes caminhavam entre as trevas da cripta, com lanternas presas em seus corpos, o que produzia outros efeitos sobrenaturais, como o de espíritos, ou fantasmas caminhando e cercando ao público.  Alguns dos espectadores nem se atreviam a olhar as projeções. Outros tantos acabavam por sair do teatro correndo, tamanho era o medo incutido pela fantasmagoria de Robertson.

Se levarmos em conta que, ainda hoje, viramos a cara em certas cenas de terror, e consideranod ainda que para aquelas pessoas, a fantasmagoria era o equivalente ao nosso cinema, podemos vislumbrar, ainda que em parte, o tamanho do espanto e do medo, causado por tais espetáculos.

COMO FUNCIONAVA A FANTASMAGORIA?

Como dito antes, a base da fantasmagoria estava nas “Lanternas Mágicas”. Os fantasmas e demônios eram pintados sobre placas de vidro e depois projetadas. Porém, enquanto nos espetáculos convencionais os espectadores ficavam entre a lanterna e a tela de projeção, na fantasmagoria, era a tela que ficava entre os espectadores e a lanterna, ou seja, esta ficava oculta aos espectadores, o que conferia mais mistério ao show.

 

 

Posição das partes durante a apresentação. Observe como o fantascópio permanece oculto do público.

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Robertson usava uma Lanterna especial montada sobre rodas, o qual denominou “Phantascope” ou, em tradução livre, Fantascópio.

 

 

Fantascópio em funcionamento. Observe a presença de rodas no aparelho.

(clique na imagem para ampliar)

Movendo a lanterna para mais perto ou mais próximo da tela, as imagens se deformavam, aumentando ou ampliando conforme a distância da tela, em questão de segundos.  O efeito final era bastante similar ao que hoje chamamos de “zoom”. Os espectadores, embasbacados, observavem como a figura crescia rapidamente, dando a impressão de avançar para cima do público, para, em segundos, transformar-se em pequenos “anões”.

 

 

Fantascópio original.

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O mecanismo foi tão engenhosamente desenhado, que permitia que as lentes mantivessem as imagens em foco a intensidade da luz, qualquer que fosse a distância entre a lanterna e a tela.

 

 

Dispositivo inserido no fantascópio a ser projetado.

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E por vezes, era a fumaça que se fazia passar por tela. Ao fabricar fumaça e direcionar o Fantascópio para esta densa neblina, o resultado era a clara impressão de uma imagem flutuando no ar.

 

 

Exemplo do efeito de movimento.

(clique na imagem para ampliar)

Em 1847 alguns cientistas escreveram um livro onde apresentavam cerca de 400 experimentos científicos com fins de entretenimento. Entre os números apresnetados, estava a Lanterna Mágica e a Fantasmagoria, explicando inclusive como fazer pincéis finos para a pintura das placas de vidro e como montar todo o equipamento.

Na figura abaixo tomada do livro, pode-se observar como criar uma imagem fantasmagórica sobre um suporte, queimando incenso para gerar a fumaça, no melhor estilo das projeções a laser atuais.

 

 

Projeção do fantascópio sobre a fumaça.

(clique na imagem para ampliar)

 

FONTES

 

Texto base:

http://historiaycuriosidadesdelilusionismo.blogspot.com/2009/09/fantasmagoria.html

 

Mais imagens e textos complementares:

http://users.telenet.be/thomasweynants/assaulted.html

http://www.jstor.org/pss/3815390

http://www.magiclantern.org.uk/history/history7.html

http://en.wikipedia.org/wiki/Phantasmagoria

http://www.acmi.net.au/AIC/PHANTASMAGORIE.html

http://www.magiclantern.org.uk/history/history6.html

É isso. Espero de coração que tenham gostado. Particularmente aprendi muito com esse post. Principalmente essa questão de não gerar apenas entretenimento, ou algo bonito para o espectador ver, mas sim buscar gerar uma experiência, uma vivência em todos os sentidos.

Amplexos!

5 comentários sobre “FANTASMAGORIA

    1. Leonardo Glass

      Holá nadur, gracias por su visita! =)

      Y yo que agradezco a ti, por tus postages que son magníficas. Me gustaria tener 10% de tu capacidad creativa.

      Vuelva siempre. Esta casa és también su casa!

      Saludos desde Brazil.

      Curtir

  1. nadur

    Gracias Leonardo

    No tengo tu mail de contacto por ese motivo escribo esto aqui.

    Te ruego que leas las condiciones de la licencia Creative Commons de mi blog.

    Si tienes dudas, puedes consultarme a mi mail que figura en mi blog

    saludos

    nadur

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  2. SENSACIONAL seu post cara.

    Me lembrei na hora de um dos meus filmes prediletos “O Ilusionista”. O Fantasmagoria é com CERTEZA ABSOLUTA de onde foi tirado a idéia para as aparições sobrenaturais que ele faz no filme, incluindo a parte da figura com capuz vermelho e a adaga. Incrivel como o diretor procurou na nossa história uma artifício excelente para usar no filme e ainda mais como mágica.

    Fiquei com vontade de fazer uma máquina dessas pra utilizar com mágicas. Bom demais!

    PARABÉNS PELA AULA!😀

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  3. Pingback: O MÁGICO COM DIABO NOS OMBROS – Água & Azeite

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