SEUS OLHOS PODEM REVELAR O NÚMERO QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO

Artigo publicado na revista Current Biology

Apesar da aparente simplicidade em se escolher um número aleatório, é praticamente impossível produzir uma sequência de números realmente aleatórios. Ainda que os números surjam, aparentemente de forma espontânea na mente de alguém, sua escolha sempre será influenciada por números gerados anteriormente.

Vemos aqui como os olhos e sua posição nos dão uma ideia do tipo de decisão sistemática feitas pelo “gerador de números aleatórios do cérebro”. Ao medir a posição vertical e horizontal do olho de uma pessoa, somos capazes de predizer com precisão o “tamanho” do número escolhido pelo espectador, antes mesmo que ele o diga em alta voz.

Podemos dizer seguramente que uma mudança para a esquerda e para baixo dos olhos prediz que o número seguinte será menos que o anterior. Da mesma forma, se os olhos mudam de posição para a direita e para cima, prevemos que o próximo número será maior. Este fato, além de apoiar o conceito popular de que os olhos delatam a mente, os resultados atestam os vínculos complexos entre os processos de pensamento abstrato, as ações do corpo e o mundo que nos cerca.

(A) O gráfico em barra mostra a acuidade horizontal e vertical da posição dos olhos quando um indivíduo escolhe um número maior ou menor do que o número predito.(B, C) mudanças na posição dos olhos (dados agrupados) em função da mudança da magnitude do número (número aleatório gerado em tentaivas 'n+1' menos o número gerado na tentaiva 'n'). (B) Mediana das variações de posição horizontal; (C) Mediana das variações verticais de posição.

(Clique na imagem para ampliá-la)

Os sujeitos nomearam 40 números aleatórios compreendidos entre 1 e 30. As mudanças na posição ocular destes individuos indicavam, não apenas a mudança para mais ou para menos dos números gerados, mas também quão maior, ou menor, era essa mudança.

O ponto mais interessante desta pesquisa, ao meu ver, é demonstrar como a representação dos processos mentais. Em um trecho deste trabalho, os autores escrevem:

Uma influente teoria – a ‘teoria da magnitude’ – considera a informção coordenada em um ‘número-espaço’ como sendo apenas uma das instâncias de magnitude dentro de sistema métrico único, unificando uma ampla gama de unidades que vão desde a extensão espacial até duração temporal. É postulado que este sistema de magnitude geral é mediado pela estrutura parietal inferior do cérebro e que codifica informações usada nas ações. Esta hipóstese prediz com sucesso interações entre números e movimentos direcionados da mão. Por exemplo, revelar números grandes ou pequenos alteram a força com que alguém fecha a mão (respectivamente mais forte ou mais fraco) quando essa pessoa está, por exemplo, negociando”.

COMENTO:

Essa pesquisa é deveras interessante, porém não significa que somos capazes de “ler os pensamentos alheios”. Segundo os gráficos demonstrados, a precisão de uma previsão ficaria, na melhor das hipóteses em torno dos 75% . No mais, o tempo de reação do olho é de meio segundo, ou seja, da teoria para a prática, há ainda um longo caminho. Por isso, a maneira mais fácil ainda de se prever um número é usando um “force“.

Mas o mérito é mostrar como um bom mentalista precisa saber ler os sinais enviados pelo espectador.

Amplexos!

FONTES

Artigo completo (em inglês. Requer conhecimento de termos técnicos)

Current Biology

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