ILUSTRES DESCONHECIDOS

Em homenagem ao dia do mágico (hoje, dia 31/01), resolvi homenagear os mágicos de uma forma diferente: Resgatando alguns números clássicos de palco que fizeram sucesso há muitos anos atrás e que hoje são completamente desconhecidos. Foram eleitas rotinas, que ealém de uma boa descrição, tivessem imagens do efeito que o espectador observava. Secretamente, é minha forma de  estimular os novos mágicos através da máxima: “Se quer mágicas novas, procure em livros velhos”.

É interessante observar que os números antigos eram consoantes com o “zeitgeist” daquela época. Em um tempo onde o espirítismo era deveras latente, e por que não dizer, era moda entre a elite da época invocar espíritos, os mágicos souberam usar isso a seu favor, criando números que beiravam o sobrenatural, e algumas vezes até se confudiam com as próprias sessões espíritas, como o número “A Invocação dos Espíritos”, onde esqueletos e fantasmas surgiam e desapareciam do palco ao comando do mágico.

Abaixo selecionei alguns números clássicos que tivessem, além da descrição, uma representação gráfica do efeito. A ideia é mostrar um pouco do espírito daquela época, da atmosfera que cercava a mágica e os mágicos. E a qual, eles souberam aproveitar muito bem.

Lembrando que basta clicar na imagem para ampliá-la.

A MEIA PESSOA

Este número é uma variante do também clássico “A cabeça-falante”, onde uma cabeça humana, posta sobre uma bandeja em uma mesa, conversava com a platéia.

Em uma pequena galeria, com cortinas de ambos os lados, flores, abajures, etc. E de ambos os lado, dois corrimões completam o cenário.  Uma pessoa repousa sobre um aparador em cima de uma mesa. O detalhe, é que esta pessoa não possui os membros inferiores. A bem da verdade, do umbigo para baixo não há nada além do aparador e da mesa, que pode ser observada vazia por entre as suas pernas.

Esta meia pessoa, está viva, bem e interage com o público, que pode inclusive se aproximar da meia pessoa. Realmente um número clássico, e na minha opinião, lindo.

METEMPSICOSE

Metempsicose, segundo o Dicionário Houaiss, é “movimento cíclico por meio do qual um mesmo espírito, após a morte do antigo corpo em que habitava, retoma à existência material, animando sucessivamente a estrutura física de vegetais, animais ou seres humanos; reencarnação“; ou seja, uma alma animando um objeto inanimado. E é exatamente essa a descrição do efeito.

Uma armadura medieval é colocada no palco com suas partes desmontadas. Um assistente sobe ao palco e começa a limpar e montar a armadura. Assim que ele termina e se afasta da peça, a armadura ganha vida, e começa a perseguir o assistente por todo o palco, cutucando-o e mexendo com ele, até o momento em que ela volta à posição inicial no palco. O assistente, morto de medo,  chama o mágico para mostrar o ocorrido, mas a armudura está outra vez inanimada. O mágico então desmonta a armadura, peça por peça e encerra o número zombando da cara do assistente, enquanto retira ele do palco.

O PALANQUIM MÁGICO

Palanquim é uma espécie de liteira, uma “cama” com quatro hastes, outrora muito comum na região da Índia e da China, onde os nobres eram levados por quatro escravos (um cada haste). O palanquim ia supenso apoiado no ombro desses escravos.

Este é um efeito simples, clássico, e por isso mesmo muito belo e intrigante. Um palanquim é trazido ao palco por quatro escravos, com uma assitente repousada nele. As cortinas do palanquim se fecham e após serem abertas a assistente desaparecia. A seguir, os escravos se retiravam do palco.

O grande diferencial desse número à sua época era o fato de o palanquim ficar o tempo todo suspenso pelos quatro escravos, a mais de 1,5 metro do chão, sendo possível inclusive observar a parte inferior do palanquim.

A ARCA DE NOÉ ou APÓS O DILÚVIO

Confesso que fiquei muito desejoso de postar a imagem deste truque revelado, dado a beleza e a sutileza do segredo desse núemro. omo este não é de forma alguma o objetivo do blog, peço ao leitor que use toda a sua imaginação ao ler a descrição do efeito dessa mágica.

A rotina consiste em uma grande caixa, no formato de um barco (ou arca, se preferir) que é trazida ao palco e colocada sobre alguns cavaletes (ou seja, a parte de baixo fica completamente visível ao espectador). O mágico e seu assistente mostram que a caixa está completamente vazia: eles abaixam as tampas frontais e posteriores da caixa-arca , bem como as tampas das partes curvas (em forma de proa e popa).

Então, eles fecham as tampas e começam a encher a caixa-arca de água, através de um funil. Assim que uma quantidade suficiente de água foi colocada na caixa-arca, o mágico abre as janelas da caixa-arca coloca a sua mão lá dentro e começa a retirar galinhas, pombos, patos, cachorros, gatos e quaiquer outros animais que sejam da vontade do mágico.

A seguir, a tampa frontal da caixa é aberta e uma assitente aparece lá dentro. A beleza da mágica está em não haver espaço suficiente para todos (animais e assistente) dentro da caixa-arca, e mais do que isso, pelo fato de todos saírem completamente secos da arca.

STELLA

Essa, com certeza, foi a rotina que mais me impressionou. Tentei visualizar a cena e imaginar este como um número de abertura e, admito,  fiquei completamente abismado.

Um pequeno palco é ladeado por duas cortinas negras. No centro, apenas a cabeça flutuante de uma mulher (sendo o nome da rotina “Stella”, presume-se que seja este o nome da cabeça de mulher). Ela está viva e conversa com o público. Ela chega inclusive a reclamar do colar que ela usa, achando um tanto “brega”.

Quando o mágico “se cansa” de Stella, ele pede que ela assopre uma vela e a seguir retira a vela do palco, por alguma das cortinas laterias. Por fim, o mágico anuncia à plateia que vai abrir um painel abaixo de onde pairava a cabeça da mulher para mostrar que ela não possui corpo. Ele assim procede e abaixo da cabeça da mulher estão uma mesa com uma vela; a mesma vela que ela assoprou.

Só peço desculpas aos leitores do blog por não citar a fonte de onde tirei estas belíssimas imagens, uma vez que este site é um site pró-exposure.  Peço que entendam.

Abraços!

Um comentário sobre “ILUSTRES DESCONHECIDOS

  1. Prezado Leonardo Glass, seu blogue é fantástico, com muitas informações interessantes e difíceis de se encontrar sobre presdigitação.

    Em particular, estávamos procurando informações sobre as chamadas cabeças falantes que assombraram o século 19.

    Somos 5 profissionais de informática tentando criar um blogue amador sobre cultura. Vamos citar seu blogue em próxima postagem sobre o conceito de cabeça falante.

    Desejamos a você um excelente 2014. E, como dizem lá fora, continue com seu grande trabalho.

    Curtir

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s