Arquivo do mês: janeiro 2011

BARALHOS: OS PADRÕES E SUAS ORIGENS – INTRODUÇÃO (Parte 1 de 10)

O baralho como conhecemos hoje é fruto de uma evolução de muitos séculos. Tanto na tecnologia da confecção, bem como na arte das cartas, o baralho tem uma história tão incrível (e por que não, mística) quanto os símbolos que ele representa.

Nesta série de dez posts falarei um pouco sobre os diferentes padrões de baralho ocidental e sua história. Veremos as variações de cada padrão e suas origens e desmembramentos. No último post vou desenhar um infigráfico com todos modelos e datas descritos. Por fim, um post bônus tratando de baralhos não convencionais, como orientais e hindus.

E isso é apenas a ponta do iceberg…

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Pra Começo de Conversa

Os baralhos se dividem em quatro grandes grupos, ou padrões internacionais:

Padrão Francês

É a variante mais comum e a que a maior parte das pessoas tem em casa. São 52 cartas de Às a Rei, divididas em duas cores (preto e vermelho) e quatro naipes (coração e ouros da cor vermelha; espadas e paus da cor preta). Este baralho pode ter um ou dois coringas e normalmente é confeccionado de modo que todas as cartas sejam facilmente lidas e reconhecidas em qualquer posição que estejam. Alguns países substituem o Ás pelo 1, e usam letras em seu próprio idioma para representar as figuras (por exemplo, na Alemanha, o Valete é ‘B’, a Dama ‘D’ e o Rei ‘K’).

 

Padrão  Latino

Variante nascida na Itália e popularizada na Espanha e países de língua espanhola. Com um número de cartas que pode variar entre 40, 48 e até 52, sendo a versão com 40 cartas a mais popular (neste caso eliminam-se os oitos e noves). Também é dividido em 4 naipes, porém com desenhos que remetem à nobreza: Moedas, Taças, Bastões e Espadas. Não há divisão de cores nesta versão e as cartas de figuras são desenhadas “em pé”, ou seja, podem ficar de cabeça para baixo, além de serem númeradas e não diferenciadas por letras.  Além disso, a numeração das cartas de figuras começa no 10, e não no 11 como no padrão francês.

É um baralho muito comum no Rio Grande do Sul, onde é utilizado utilizado para jogar o “truco gaudério”.

 

Padrão Alemão

O mais antigo dos padrões de cartas e, infelizmente, muito pouco conhecido fora da Europa. Composto de 32 cartas, compreende valores que vão do 7 ao 10, mais 4 cartas de figuras: o Obermann e o Untermann, espécies de valetes, conhecidos internacionalmente como Over e Under, o Rei, e o Ás ou Deuce, dependendo do padrão. Em qualquer caso, só o 7, 8, 9 e 10 são numerados. É dividido em quatro naipes: sinos, folhas, castanhas e corações. Em nenhuma das versões as figuras possuem letras de identificação (tipo O, U e K), mas o naipe do Under é na parte de baixo da carta para diferenciá-lo do Over.

É um padrão bastante utilizado em países do leste Europeu: República Tcheca, Hungria, Áustria e, evidentemente, Alemanha. Sua grande fama está nas figuras grandes e quase sempre muito belas e bem detalhadas.

 

Padrão Suíço

Surgido no século XVI, o baralho suíço lembra o alemão em vários aspectos, mas é considerado um baralho diferente por um motivo muito simples: seus naipes são únicos, e não estão presentes em nenhum outro baralho que tenha sobrevivido. Utilizado apenas am algumas cidades da Suíça, e para jogar um único jogo, chamado Jass. São 36 cartas. As numeradas vão do 6 ao 9. As demais são o Over, o Under, o Rei, o Sau, representado por duas figuras do naipe, e o Banner, representado por uma bandeira com o naipe.

Dentro desses quatro padrões, existem as muitas variantes regionais, cada uma com suas características próprias. E, além das variantes, existem ainda os baralhos orientais, de tarot e alguns para jogos específicos como “Elfer Raus” e “Uno”. Mas tudo isso, desde as variantes, como as histórias veremos nos posts seguintes.

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Um Brevíssimo Histórico das Cartas

Os primeiros baralhos que se tem relato nasceram na China no século 10 a.C., e eram bastante similares a peças de dominós. séculos mais tarde os Árabes acabram conhecendo o baralho e o espalharam pelo mundo ocidental. Essa difusão do baralho foi fruto da relação cultural e comercial entre os países do Mediterrâneo e o mundo árabe, em particular os Mamelucos, oriundos do norte da África.

A palavra latina para “baralho” era “naibi” ou “naibbi” e o equivalente hispânico “naipe”. Ambas as palavras provém do árabe “nai’ib” que significa algo como “delegado” ou “xerife”. “Delegados” eram as duas cartas de figura dos antigos baralhos árabes: o “vice-rei” e o “segundo vice-rei”. Estas cartas não representam nenhuma personalidade humana, uma vez que a tradição islã proíbia tal prática, apenas os cargos reais.

O mais antigo baralho é conhecido como Mulûk wa-Nuwwâb (“Reis e Delegados”), e se encontra no museu Topkapi em Istambul . È composto de quatro naipes, cada um deles composto por sua vez de 14 cartas, 10 cartas de números, mais 4 cartas de figuras), totalizando 56 cartas.

Os naipes do baralho árabe são: Darâhim (moedas),  Tûmân (taças), Suyûf (espadas) e Jawkân (bastões).

 

Baralho mameluco "Mulûk wa-Nuwwâb", no museu Topkapi em Istambul, Turquia.

Com a chegada dos árabes à península ibérica, e não havendo a tradição, as figuras humanas foram adicionadas às cartas. O rei se manteve. Como não havia grão-vizir, optou-se por adicionar os cavaleiros como segunda figura em valor de nobreza. Para a posição do delegado, optou-se pelo “sota” uma espécie de escudeiro que servia ao cavaleiro, que por sua vez servia ao rei, criando assim uma hierárquia nas cartas. A este baralho “na’ib” foi dado o nome de “Cartas Sarracenas”.

Na metade do século XV, as Cartas Sarracenas começaram a se espalhar pela Europa. Na Alemanha, elas acabaram inspirando um outro tipo diferente de baralho, que se tornaria conhecido muitos anos depois como Cartas de Caçada. Ricamente decoradas, as Cartas de Caçada levavam este nome por mostrar, em cada carta, cenas de caçadas empreendidas por membros da nobreza. Cada fabricante criava seus próprios naipes, mas todos sempre ligados à caça esportiva, como cães, raposas, falcões, escudos, armadilhas e outros. Por serem ricamente trabalhadas, as Cartas de Caçada não eram produzidas em larga escala, sendo feitas sob encomenda para pessoas abastadas. Por este motivo, é pouco provável que tenham sido utilizadas para jogar.

 

Cartas de um baralho medieval de caça.

Também na metade do século XV, as Cartas Sarracenas chegaram à Itália. Lá, elas acabaram dando origem a dois estilos de baralho diferente: os fabricantes do sul decidiram imitar o modelo espanhol, com moedas, taças arredondadas, clavas e espadas retas; mas os fabricantes do norte decidiram fazer seus baralhos mais parecidos com as cartas originais árabes, com moedas, taças alongadas, espadas curvas e bastões cerimoniais, o que eles imaginaram ser os bastões de pólo. Em todas as versões, as figuras eram o escudeiro, o Cavaleiro e o Rei, mas os baralhos italianos podiam ter 52, 48, ou, mais usualmente, apenas 40 cartas, indo as numéricas apenas do 1 ao 7.

Paralelamente a isso, as Cartas Sarracenas se popularizaram na Alemanha, já que as Cartas de Caçada não eram acessíveis a todos, nem usadas para jogar. Para seguir a tradição das Cartas de Caçada, os fabricantes alemães decidiram não utilizar os naipes tradicionais, mas sim inventar seus próprios, com motivos ligados à natureza e à vida no campo. Assim, as moedas viraram sinos redondos (guizos), as espadas viraram folhas, os bastões viraram castanhas, e as taças viraram corações. Os alemães mantiveram as três figuras dos baralhos espanhóis e italianos, mas, curiosamente, desmontaram os Cavaleiros: os Reis eram identificáveis por suas coroas nas cabeças e por estarem sentados em tronos, mas tanto os Cavaleiros quanto os escudeiros estavam a pé, devendo ser identificados pela posição do símbolo do naipe – nos Cavaleiros era na parte de cima da carta, nos escudeiros, na parte de baixo.

 

Dispersão e evolução do baralho Sarraceno

No início do século XVI, este curioso baralho chegou à França, e lá acabou sofrendo mais uma mutação: os fabricantes franceses queriam produzir baralhos em larga escala, e os naipes tradicionais, muito trabalhados, não eram fáceis de reproduzir nas placas de madeira ou metal que eram usadas na impressão. Assim, eles decidiram adaptar os naipes alemães, mais simples: folhas viraram pontas de lança, castanhas viraram trevos, os sinos viraram losangos, e os corações foram mantidos. Ao invés de usar muitas cores, os fabricantes optaram por apenas duas: dois naipes em preto e dois em vermelho. As figuras também sofreram uma nova mudança: para evitar a confusão causada por duas figuras masculinas aparentemente idênticas, os franceses decidiram trocar o Cavaleiro pela Rainha. Não há indicações, porém, de que eles tenham feito isso influenciados pelas Cartas de Caçada; o mais provável é que eles simplesmente tenham achado que, já que cada naipe tinha seu Rei, estavam faltando suas Rainhas.

Nos próximos 9 posts nos aprofundaremos mais nessas histórias todas.

Até lá!

Amplexos!

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REFERÊNCIAS

Texto e imagens retirada dos sites:

Andy’s Playing Cards: http://a_pollett.tripod.com/cards.htm

Card Games: http://www.pagat.com/

Blog “Átomo”: http://atomo.blogspot.com/search/label/Baralho


A ESTRANHEZA DE LAFAYETTE

Texto retirado do livro “Sensational Tales of Mystery Men” por Will Goldston publicado pelo próprio Will Goldston em 1929 e traduzido por mim.

As imagens que ilustram esse post não se encontram no texto original.

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Clientes do meu escritório frequentemente me perguntam sobre uma grande pintura a óleo que fica de frente para a minha mesa. O tempo tornou a pintura mais escura que originalmente fora concebida, mas ela ainda mantém sua imponência que chama a atenção.  Essa pintura mostra um homem magro, em torno dos 50 anos usando óculos “pince-nez”, seu queixo repousado sobre sua mão esquerda e seus olhos vidrados em algum ponto perdido do espaço. Há algo de estranho em seu rosto; uma expressão difícil de descrever. Você começa a ficar inquieto sob seu inexorável olhar, como se o homem na pintura estivesse olhando para dentro de você, perscrutando seus mais íntimos segredos. Muitos de meus visitantes se ressentem deste exame silencioso.

Quem é o homem?” eles perguntam.

Lafayette”, eu respondo

E então talvez, seus olhos irão mirar uma grande espada em uma redoma de vidro que fica acima da minha cabeça. É curioso como o subconsciente parece conectar a espada com o retrato de Lafayette, eles ficam em extremos opostos da sala, mas quase sempre percebo as pessoas olhando, inconscientemente, de um para outro.

Essa é a espada de Lafayette”, eu digo a eles. “Foi encontrada junto de seu corpo carbonizado no palco do Teatro Imperial em Edimburgo. Foi dada de presente a Harry Houdini, que pó sua vez, passou ela para mim”.

Conte a história toda”, eles me pedem.

Então eu conto.

Pintura de Lafayette, descrita por Will Goldston

 

Lafayette foi o mais odiado de todos os mágicos que já viveram. E isto soa estranho, uma vez que, foi ele quem estabeleceu um novo patamar entre os artistas da mágica: artistas de primeira classe com salários astronômicos. Ele provou aos gerentes do Holborn Empire, um grande teatro da época, que era digno das quinhentas libras semanais que cobrava como salário, ao lotar o teatro por uma quinzena inteira e obter altos lucros com seu show.

Lafayette era anti-social a ponto de ser rude, e por esta razão foi universalmente execrado. Suas constantes recusas em se encontrar com colegas mágicos, tanto na Europa como na America, fizeram dele uma figura muito impopular, agraciado por onde quer que passasse com o mais puro e sincero desprezo.

Eu sempre acreditei que, na verdade, ele tinha medo de encontrar seus colegas ilusionistas. Seu conhecimento das artes mágicas era insignificante e, ao invés de demonstrar a sua ignorância profissional a outros mágicos, já que era um eminente mágico, ele acabava preferindo a sua própria companhia.

Como ilusionista ele era maravilhoso, e suas apresentações, eu classifico serem do mesmo nível de Houdini e John Nevil Maskelyne. Somente aqueles que viram esses dois em seu apogeu podem imaginar quão grandiosos eram tais shows. Mas a habilidade de iludir no palco não significa, necessariamente, conhecimento da mágica real. E neste conhecimento, Lafayette estava em falta.

Ele era, pura e simplesmente, um ilusionista mecânico. Ele era esperto o bastante para construir diferentes programas (gimmicks) para qualquer mágica apresentada em seu tempo, e foi desse modo, que construiu a sua reputação. “Isso deve ser espetacular!” era o seu lema, e ele o seguia à risca. Seu ato era tipificado pelo cenário deslumbrante, pelas vistosas cortinas e pela música sempre muito alta e comovente.

Lafayette veio de uma trupe alemã e começou sua carreira como um artista cênico. Por certo que foi essa a razão do seu grande apreço pelas ilusões. Eu nunca soube como ele acabou por adotar a mágica como profissão, mas sem dúvida sua posição como um pintor de cenários teatrais foi quem despertou nele tal desejo.

Ele era chamado de excêntrico. Isso é um grande eufemismo. Eu o considero um louco. Ele tratava suas assistentes de palcos como soldados e ordenava que elas o saudassem nas ruas. Uma vez, ele comprou um colar de diamantes para sua cachorrinha. Ele também pagava todas as suas contas com cheques, não importando se o valor da compra fosse de apenas alguns centavos. Um homem que faz todas essas coisas, eu repito, deve ser louco.

Seu cachorrinha “Bela” era a sua grande fraqueza. Era esse o animal que aprecia desenhado em todos os seus cheques e contratos de teatro. Um banheiro especial para Bela foi construído na casa de Lafayette em Torrington Square, e todas as noites o animal era servido com uma completa refeição quente, que ia desde sopas como entrada até doces de sobremesa. Um retrato de Bela ficava do lado de fora da casa com uma estranha frase escrita debaixo da figura: “Quanto mais eu conheço os homens, mais eu amo o meu cachorro”.

 

O Mágico Lafayette e sua cachorrinha Bella

Lafayette era um grande empreendedor e recorreu à publicidade mais irritante que eu já conheci em toda a minha vida: Ele mandou imprimir fotos com seu nome escrito em papéis com grude na parte de trás, e mandava colar estas fotos nas paredes internas e externas dos banheiros públicos nas cidades em que ele iria se apresentar. Esse procedimento lhe trouxe mais problemas do que benesses.

Ele era também um pugilista, como acabou descobrindo da pior maneira o Sr. Inglish de Chicago. Quando Lafayette foi se apresentar naquela cidade, acabou se tornando muito amigo de uma moça jovem e bonita e cujo marido, nada sabia a respeito desse “affair”. É possível imaginar claramente a surpresa desse homem quando, ao entrar em um restaurante, viu sua esposa, que mais parecia um manequim de desfile, tamanha sua produção, almoçando com o grande mágico.

Então é isto que ela faz?” pensou o Sr. Inglish. “Vou ver o que está acontecendo.” Ele se aproximou de Lafayette e com um tapinha no ombro disse ao mágico:

Você sabia que essa dama é minha esposa?

E daí?”, retrucou Lafayette, não dando a mínima atenção ao homem atrás dele.

E o que você diz de levá-la para jantar sem a minha permissão?

Lafayette não respondeu, ao invés disso, mandou um incrível soco direto no queixo do Sr. Inglish. Foi a maneira mais fácil de acabar com aquela discussão. O marido caiu nocauteado no ato e, quando acordou, foi questionado por que importunara uma pessoa tão importante como Lafayette. E assim ficou a fama deste marido enganado.

Quantas pessoas sabem da verdade sobre a morte de Lafayette: Poucas, eu deduzo. Ele foi queimado até a morte no desastre que houve no Teatro Imperial de Edimburgo em 9 de maio de 1911. A lenda que se conta é que ele conseguiu fugir do incêndio, mas acabou voltando para dentro do teatro a fim de salvar seu cavalo branco que permaneceu no teatro. Há pouca verdade nesta lenda.

O que de fato aconteceu foi isto: Lafayette sempre insistiu que a “porta de passagem” – uma pequena porta de ferro que liga os estábulos às laterais do palco do teatro – deveriam permanecer trancadas durante o seu show. Esta ordem servia para que intrusos não invadissem o teatro e acabassem talvez descobrindo o segredo de suas ilusões. Uma condição estúpida, e que acabou lhe custando a vida.

 

Cartaz do show de Lafayette no Tetaro Imperial de Edimburgo

Quando o incêndio começou no palco, ele correu até a porta de passagem para facilitar sua saída do teatro.  Ele havia se esquecido de sua própria ordem de trancar essas portas. Antes que pudesse se dirigir a outra saída, o palco estava imerso em chamas e fumaça e, derrubado pela fuligem, calor e fumaça, acabou caindo, inconsciente. Quando seu corpo foi resgatado, estava irreconhecível.

 

Lápide do "Grande Lafayette", no cemitério em Glasgow

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Para saber mais sobre Lafayette:

El Gran Lafayete“, no blog de Jose María Palma (Espanhol)

Each Man Kills the Thing He Loves” no blog “Strange Flowers” (Inglês)

Weird Magicians of Brooklyn” no blog “Weird Brooklyn” (Inglês)

Was It He The Great Lafayette?” no site “Edinburgh 1 o’clok Gun” (Inglês)

OBS: Todas as imagens foram retiradas dos links acima.


A VERDADE SOBRE O MAGO DEDI

O mágico/mago Dedi é considerado por muitos como o Pai da mágica, já que ele é primeiro mágico a ser registrado na história. Porém, como toda boa história, há muito de lenda, muito de floreio e muito de má interpretação por trás de sua história. Este post tem por objetivo falar um pouco sobre esse personagem tão ilustremente desconhecido.

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Quem foi Dedi?

Dedi (também escrito Djedi ou Djedy) é o nome de um profeta e mágico de um conto do Antigo Egito,  registrado no período de Khufu conhecido como “Os Papiros de Westcar”, que registra 5 histórias de performances executadas por sacerdotes e mágicos egípcios. Segundo este documento, Dedi seria capaz de decapitar um pássaro e depois religar a sua cabeça ao corpo, trazendo-o de volta à vida. Ainda segundo a história, foi proposto que fizesse o mesmo com criminosos condenados. Dedi educamente recusou, usando a seguinte frase: “Certamente que não é permitido fazer tais coisas com o rebanho nobre“. Por rebanho nobre, Dedi se referia a humanidade.

Também é atribuído a Dedi rotinas com covilhetes (cups and balls), sendo até hoje divulgada uma imagem onde ele supostamente estaria executando essa rotina. Porém, existem alguns problemas na interpretação dessa figura:

* A imagem representaria não mágicos, mas sim padeiros em seu ofício. Ou seja, ao invés de covilhetes, o que se tem são pães sendo amassados;

* Essa imagem foi encontrada nas Tumbas de Beni Hassan. Essas tumbas foram criadas entre os séculos 20 e 17 antes de cristo. Os papiros de Westcar só apareceram entre os séculos 18 e 16 A.C. Por isso, é pouco provavel que os desenhos na tumba se refiram especificamente a Dedi;

* Quem executa essa rotina sabe que a fazê-la no chão não é ergonômico, tampouco prático;

* Por fim, estudiosos e historiadores da mágica creditam aos romanos a criação da mágica dos covilhetes, pelos acetebularii. Assim, seria impossível Dedi estar executando uam rotina que ainda não havia sido criada.

Suposta gravura de Dedi executando covilhetes. Na verdade a imagem trata de padeiros fazendo pão.

 

O que os Papiros de Westcar Contam Exatamente sobre Dedi?

Segue abaixo uma tradução do inglês da história de Dedi, retirada dos pergaminhos de Westcar. A tradução foi adaptada para clarificar alguns pontos obscuros e para uma melhor fluência na leitura, sem no entnato alterar a hsitória original.

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Seu nome é Dedi“, respondeu o príncipe Hordadef. “Ele é um homem velho, dizem ter 110 anos. Todos os dias ele come metade de um boi, cinco centos de fatias de pão, além de beber uma centena de jarros de cerveja. Ele é capaz de arrancar a cabeça de uma criatura viva e depois restaurá-la; ele é capaz de fazer um leão obedecê-lo; e ele conhece os segredos da morada do deus Toth, o qual Sua Majestade tem desejo de conhecer para que possa construir as cãmaras de sua pirâmide de acordo“.

Rei Khufu respondeu: “Vá e traga esse homem até mim, Hordadef

O príncipe desceu o Nilo, costeando as margens com um barco e navegou ao sul, até encontrar uma cidade chamada Dedsnefru, onde Dedi habitava. Ele seguiu pelo litoral, carregado em sua liteira até a casa do mágico, que estava sentado à soleira da porta de sua casa. Quando Dedi percebeu a comitiva, foi saudado pelo príncipe que lhe pediu que não levantasse, devido a sua grande idade. O príncipe disse: “Meu Real Pai deseja honrá-lo e dar uma tumba no meio de seu povo“.

Hordadef ajudou Dedi a se levantar e, tomando-o pleo braço, guiou-o até seu navio. Dedi navegou em companhia do príncipe, enquanto em outro navio seguiam os assistentes e os livros de mágica de Dedi.

Saúde e força e plenitude sejam teus“, disse Hordadef quando se prostrou perante seu pai real, o Rei Khufu. “Eu voltei, e trouxe comigo Dedi, o grande mágico.” O Rei se alegrou com a notícia e disse: “Tragam o homem até minha presença“.

Dedi veio e saudou o Rei, que disse: “Por que é que eu nunca vi você antes?

Ele foi designado para o chamado” respondeu o velho homem; “Você o enviou para mim, e aqui estou.

É dito“, Rei Khufu continuou “que você pode restaurar a cabeça que fora arrancada de uma criatura viva.

Certamente que eu posso, majestade” respondeu Dedi.

O Rei respondeu: “Então, chamem aqui um prisioneiro para ser decapitado.

Eu preferiria que não fosse um homem” disse Dedi; “Eu não faço isso com gado real, majestade

Então um pato foi trazido até Dedi que cortou a cabeça do pato fora, jogando a cabeça para a direita e o corpo para a esquerda. Dedi falou algumas palavras mágicas e então a cabeça e o corpo foram unidos e o pato e levantou e grasnou em alto som. O mesmo foi feito em seguida com um ganso.

Rei Khufu então insitiou que trouxessem uma vaca e que sua cabeça fosse cortada. Dedi restaurou o animal outra vez e além disso, fez com que ele o seguisse, ou seja, que pisasse exatamente nos mesmos lugares que ele pisava. Sua Majestade então, pediu a Dedi: “É dito ainda que você possui os segredos da morada do deus Thoth.

Ao que Dedi respondeu: “Eu não os possuo, mas onde eles estão guardados e que estão dentro de uma câmara em Heliópolis. Lá as plantas estão guardadas em uma caixa, mas não há ninguém digno, que consiga  trazê-los à Sua Majestade.

Não há mesmo ninguém que consiga essas plantas para mim?” perguntou o Rei.

Dedi então profetixou que três filhos nasceriam de Rud-dedit, esposa do sumo-sacerdote de Rá. O mais velho se tornaria sacerdote-chefe em Heliópolis e tomarai posse das plantas. Ele e seus irmãos um dia se sentariam sobre o reino todo e governariam sobre toda a terra.

(…)

O coração do Rei Khufu se encheu de tristeza e preocupação quando ouviu as palavras proféticas do grande mágico. Dedi então respondeu: “O que se passa em sua mente, Ó Rei? Seu filho rienará após você e então o Filho dele também. Mas o próximo irá cair“.

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E a história do pergaminho segue contando sobre os filhos de Rut-dedit

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Por todos os elementos apresetnados aqui, é possível que a história de Dedi não passe de uma lenda. Seja como for, a história se encarregou de nomear Dedi como o primeiro dos mágicos. Verdade ou lenda essa história continuará encantando muitos por muitas outras gerações.

E, talvez, essa seja a maior mágica de Dedi…

Amplexos!

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REFERÊNCIAS

http://www.reshafim.org.il/ad/egypt/texts/westcar_papyrus.htm

http://en.wikipedia.org/wiki/Westcar_Papyrus

http://en.wikipedia.org/wiki/Dedi


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